Redação do Site Inovação Tecnológica - 16/07/2021
Lago com água líquida em Marte
Em 2018, uma equipe de cientistas da Agência Espacial Europeia (ESA) anunciou o descobrimento de indícios de um lago subterrâneo - com água em estado líquido - em uma região chamada Planum Australe, no Pólo Sul de Marte.
Os dados foram coletados pelo instrumento MARSIS (radar avançado de Marte para sondagem de supersuperfície e da ionosfera), que está a bordo da sonda espacial Mars Express.
O instrumento detectou uma forte reflexão de radar sob a camada de gelo do Pólo Sul de Marte, e a equipe interpretou essas reflexões na base da calota de gelo como sendo geradas por água líquida.
Mas uma equipe da Universidade do Estado do Arizona, nos EUA, usando dados do mesmo instrumento, afirma agora que os sinais de radar muito mais provavelmente foram gerados por uma camada feita de argila, minerais contendo metal ou gelo salino.
"Nossa equipe queria dar um passo atrás e perguntar se havia outros materiais além da água líquida que poderiam causar esses reflexos brilhantes," disse Carver Bierson.
Permissividade dielétrica e condutividade elétrica
O professor Bierson explica que uma reflexão de radar pode ser brilhante devido a um grande contraste na permissividade dielétrica (como um material responde a um campo elétrico) ou na condutividade elétrica (a quantidade de corrente elétrica que um material pode transportar).
Embora o estudo anterior considerasse apenas o contraste na permissividade dielétrica, Bierson e sua equipe demonstraram que os contrastes na condutividade elétrica entre os materiais também podem explicar o brilho do reflexo.
E uma camada sólida é muito mais plausível porque a temperatura abaixo do gelo marciano deve estar por volta de -68 ºC, o que exigiria um forte processo de calor geotérmico para manter a água em estado líquido, processo esse do qual não há nenhum indício.
Embora não excluam explicitamente a ocorrência de uma salmoura líquida, os resultados sugerem novas explicações para os fortes reflexos de radar observados, algumas das quais não requerem a existência de uma salmoura líquida sob a calota polar sul marciana. "Nossos resultados são um lembrete de que geralmente há mais de uma maneira de explicar uma observação," disse Bierson.