Agência USP - 28/06/2004
Estatísticas do futebol
Um software para captação de estatísticas de jogo pode aperfeiçoar o trabalho dos técnicos de futebol. O programa FutePerforma, em fase de testes, foi concebido por três profissionais formados na Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP. A linguagem de programação foi desenvolvida pela empresa junior do Instituto de Matemática e Estatística (IME).
O FutePerforma substitui a captação manual de estatísticas de jogo, feita com anotações em prancheta.
"Antes da partida, o operador registra no computador informações como a escalação das equipes, local de jogo, estado do gramado e esquemas táticos", diz Fernando Seabra, um dos idealizadores do projeto. "Um sistema de coordenadas permite ao operador rastrear a posse de bola em todo o campo e teclas de atalho registram as características especificas de cada jogada."
Direção técnica
O software é destinado a todos os profissionais envolvidos na direção técnica de equipes de futebol, inclusive preparadores físicos e diretores de clubes. "É possível fornecer informações individualizadas sobre o desempenho de cada jogador, que podem ser usadas pelos próprios atletas e também por empresários", afirma.
O registro das ações de jogo possibilita que o programa forneça informações temporalmente contextualizadas. "Os dados podem ser recuperados de forma analítica ou seqüencial", afirma Fernando. "É possível obter estatísticas sobre aspectos específicos, como dribles e roubadas de bola, ou mesmo refazer toda a seqüência de uma jogada de ataque, desde a recuperação da bola até a finalização."
De acordo com Fernando Seabra, o FutePerforma permite personalizar a avaliação do jogo de acordo com as preferências do técnico.
Demanda
A linguagem de programação do FutePerforma, que será testada e aperfeiçoada com o trabalho de campo, foi desenvolvida pela empresa júnior do IME.
Dentro de três meses o serviço de análise de jogo deverá ser oferecido por uma empresa criada em parceria com Everton Gushiken, Felipe Mota e João Paulo Coutinho, formados em Esporte pela EEFE. "Dependendo da demanda, o software poderá ser colocado a venda, pois não existem programas semelhantes no Brasil", afirma Fernando.
No futuro, Fernando Seabra acredita que o software poderá incorporar imagens e sons para aprimorar o trabalho de análise de jogo.
"O trabalho dos técnicos de futebol no País ainda é muito empírico, valendo-se muitas vezes apenas da experiência pessoal dos treinadores", diz. "As estatísticas de jogo podem tornar mais precisa a avaliação do rendimento, que depende também de uma boa escolha dos indicadores táticos e da leitura adequada das informações."