Com informações do ESO - 05/01/2022
Fogo frio
Parece um incêndio, mas esta é a icônica Nebulosa da Chama e seus arredores, capturada em ondas rádio com o APEX (Atacama Pathfinder Experiment), e em infravermelho com o VISTA (Visible and Infrared Survey Telescope for Astronomy), instrumentos do Observatório do Paranal, no Chile, operados pelo Observatório Europeu do Sul (ESO).
"Como os astrônomos gostam de dizer, sempre que há um novo telescópio ou instrumento disponível, observamos Órion, onde há sempre algo novo e interessante a descobrir!" comentou Thomas Stanke, coordenador destas novas observações.
Uma das regiões mais famosas do céu, Órion é o lar das nuvens moleculares gigantes mais próximas do Sol - vastos objetos cósmicos compostos essencialmente por hidrogênio, onde se formam novas estrelas e planetas. Essas nuvens estão localizadas entre 1.300 e 1.600 anos-luz de distância e apresentam o berçário estelar mais ativo na vizinhança do Sistema Solar, além da Nebulosa da Chama que vemos na imagem.
Esta nebulosa de "emissão" abriga um aglomerado de estrelas jovens em seu centro que emite radiação de alta energia, fazendo brilhar os gases circundantes.
Ou seja, a nebulosa não está explodindo e nem mesmo queimando. Ao contrário do que o "fogo" das imagens possa sugerir, estas nuvens são, na realidade, frias, com temperaturas típicas de apenas alguns graus acima do zero absoluto.
Nebulosa da Vaca
Além da Nebulosa da Chama e seus arredores, Stanke e seus colegas conseguiram capturar uma grande variedade de outros objetos não menos espetaculares, como as nebulosas de reflexão Messier 87 e NGC 2071, que são nuvens de gás e poeira interestelar que refletem a radiação emitida por estrelas próximas.
A equipe até descobriu uma nova nebulosa, um pequeno objeto, notável em sua aparência quase perfeitamente circular, que eles chamaram de Nebulosa da Vaca.
As observações foram conduzidas como parte do rastreio ALCOHOLS (APEX Large CO Heterodyne Orion Legacy Survey), que observou as ondas rádio emitidas pelo monóxido de carbono (CO) nas nuvens de Órion. Usar essa molécula para investigar grandes áreas do céu é o objetivo principal do instrumento SuperCam, que permite aos astrônomos mapear enormes nuvens de gás onde se formam novas estrelas.
Dados os muitos segredos que ela pode contar, esta região do céu foi varrida muitas vezes no passado em diferentes comprimentos de onda, cada faixa de comprimento de onda revelando características diferentes e únicas das nuvens moleculares de Órion. Como exemplo temos as observações infravermelhas feitas pelo VISTA, que compõem o fundo calmo desta imagem da Nebulosa da Chama e seus arredores. Ao contrário da radiação visível, as ondas infravermelhas passam através das nuvens espessas de poeira interestelar, permitindo aos astrônomos descobrir estrelas e outros objetos que, de outro modo, permaneceriam escondidos.