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Simulações dão novo suporte à existência do Planeta Nove

Simulações dão novo suporte à existência do Planeta Nove
As simulações dão suporte às hipóteses levantadas para explicar a interferência do hipotético Planeta Nove sobre os objetos transnetunianos. [Imagem: NASA/JPL-Caltech / Robert Hurt]

Planeta novo

Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos EUA, identificaram dois indícios que apoiam a existência de um planeta que pode ser parte do nosso sistema solar, situado além da órbita de Netuno.

Alguns astrônomos acreditam na existência desse suposto planeta, chamado Planeta Nove - conhecido anteriormente como tão procurado Planeta X -, por causa da forma como se comportam alguns objetos no espaço, os chamados os "objetos transnetunianos", ou TNOs (sigla em inglês para Trans-Neptunian Objects).

Os TNOs são objetos rochosos menores que Plutão, que orbitam o Sol a uma distância média maior do que Netuno. Mas as órbitas mais distantes desses TNOs - aquelas cuja distância média do sol é superior a 250 unidades astronômicas - parecem apontar na mesma direção. Esta observação levou os astrônomos a prever a existência do planeta Nove.

Para que estes TNOs estejam alinhados nas órbitas que ocupam atualmente devido à influência do Planeta Nove, dizem os astrônomos, eles estariam no sistema solar há mais de um bilhão de anos. No entanto, outros astrônomos defendem que, em um tempo tão longo, alguns desses objetos teriam sido esmagados ao colidir com outro planeta, jogados no sol ou ricocheteados no espaço pela força gravitacional de outros planetas.

Pressupostos das teorias

Juliette Becker usou um grande conjunto de simulações computacionais e tirou delas duas evidências sobre esses TNOs. Primeiro; os pesquisadores estabeleceram uma versão do Planeta Nove que provavelmente faria com que nosso sistema solar tivesse a cara que tem hoje, evitando que os TNOs sejam destruídos ou expulsos do sistema solar. Segundo, as simulações preveem que existe um processo chamado "salto de ressonância" pelo qual um TNO salta entre órbitas estáveis. Este processo pode impedir que os TNOs sejam expulsos do sistema solar.

Em cada simulação individual, os pesquisadores testaram diferentes versões do Planeta Nove para ver se essa versão particular, com suas forças gravitacionais, resultaria na mesma versão do sistema solar que vemos hoje.

"A partir desse conjunto de simulações, descobrimos que existem versões preferidas do Planeta Nove que fazem com que o TNO fique estável por mais tempo, então, basicamente, aumenta a probabilidade que o nosso sistema solar exista da maneira que existe," disse Becker. "Através destas simulações computacionais, conseguimos determinar qual concepção do Planeta Nove cria nosso sistema solar - caso o Planeta Nove seja real".

Ressonância orbital

A equipe examinou a ressonância desses TNOs com o hipotético Planeta Nove - uma ressonância orbital ocorre quando os objetos em um sistema exercem forças gravitacionais periódicas sobre as outras que fazem com que os objetos se alinhem em um padrão.

Nesse caso, os dados mostram que, ocasionalmente, Netuno vai retirar um TNO da sua ressonância orbital, mas, em vez de enviá-lo rumo a sol, para fora do sistema solar ou para outro planeta, algo o atrai e o confina em uma ressonância diferente.

Mas ainda são só modelagens.

"O objetivo final seria ver diretamente o Planeta Nove - pegar um telescópio, apontá-lo para o céu e ver a luz refletida do sol saltando do planeta Nove," disse Becker. "Uma vez que ainda não conseguimos encontrá-lo, apesar de muitas pessoas estarem nesta busca, estamos presos a esses tipos de métodos indiretos".

Bibliografia:

Evaluating the Dynamical Stability of Outer Solar System Objects in the Presence of Planet Nine
Juliette C. Becker, Fred C. Adams, Tali Khain, Stephanie J. Hamilton, David Gerdes
The Astronomical Journal
Vol.: 154, Number 2
DOI: 10.3847/1538-3881/aa7aa2




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