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Choque de estrelas desvenda magnetismo de estrelas massivas

Redação do Site Inovação Tecnológica - 12/04/2024

Choque de estrelas explica magnetismo de estrelas massivas
Esta imagem mostra a bela nebulosa NGC 6164/6165, também conhecida como Ovo do Dragão. A nebulosa é uma nuvem de gás e poeira que envolve um par de estrelas chamado HD 148937.
[Imagem: ESO/VPHAS+/CASU]

Rejuvenescimento das estrelas

Normalmente, os pares de estrelas - a maioria das estrelas na nossa galáxia são binários - apresentam-se muito semelhantes, um pouco como gêmeos.

Por isso, quando observaram o sistema HD 148937, no coração de uma nuvem de gás e poeira, os astrônomos ficaram surpresos: Uma das estrelas parece ser bem mais jovem do que a sua companheira, o que é muito estranho porque ambas deveriam ter-se formado juntas a partir da mesma nebulosa. E, também ao contrário da companheira, ela é magnética.

Os dados obtidos pelo Observatório Europeu do Sul (ESO) indicam que teriam existido originalmente três estrelas nesse sistema, tendo duas delas se chocado e fundido. E este evento violento deu origem a uma nuvem circundante e alterou para sempre o destino do sistema, efetivamente "rejuvenescendo" a estrela que restou da fusão.

"Encontrar uma nebulosa em torno de duas estrelas massivas é algo bastante raro e levou-nos a pensar que alguma coisa de diferente devia ter acontecido neste sistema. Quando analisamos os dados, vimos que, de fato, era isso mesmo," comentou Abigail Frost, astrônoma do ESO no Chile, responsável pelas observações do sistema HD 148937, situado a aproximadamente 3800 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação da Régua.

"Pensamos que este sistema era originalmente composto por, pelo menos, três estrelas; duas delas deviam estar muito próximas uma da outra em determinado ponto da órbita, enquanto a terceira estaria muito mais afastada," explicou Hugues Sana, da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica. "As duas estrelas interiores fundiram-se de forma violenta, criando uma estrela magnética e ejetando material, o qual deu origem à nebulosa. A estrela mais distante formou uma nova órbita com a estrela magnética recém fundida, criando o binário que observamos atualmente no centro da nebulosa."

Choque de estrelas explica magnetismo de estrelas massivas
Esta coleção de painéis mostra três imagens artísticas que retratam o evento que mudou o destino do sistema estelar HD 148937 e uma imagem astronômica real, esta no último painel. Originalmente, o sistema tinha pelo menos três estrelas (painel superior esquerdo), duas delas próximas, que se chocaram e se fundiram (painel superior direito). Este acontecimento violento criou uma nova estrela, maior e magnética, agora emparelhada com a estrela mais distante (painel inferior esquerdo). A fusão liberou também os materiais que criaram a nebulosa que agora rodeia as estrelas (painel inferior direito).
[Imagem: ESO/L. Calçada-VPHAS+/CASU]

Estrelas massivas magnéticas

As observações ajudam a resolver um mistério de longa data da astronomia: Como é que as estrelas massivas obtêm os seus campos magnéticos.

Embora os campos magnéticos sejam uma característica comum às estrelas de pequena massa, como o nosso Sol, as estrelas mais massivas não conseguem manter campos magnéticos da mesma forma. No entanto, algumas estrelas de grande massa são, de fato, magnéticas.

Os astrônomos já suspeitavam há algum tempo que as estrelas massivas poderiam adquirir campos magnéticos quando de uma fusão, mas esta é a primeira vez que se encontram provas diretas desse acontecimento. No caso do HD 148937, a fusão deve ter ocorrido recentemente. "Não se espera que o magnetismo em estrelas massivas dure muito tempo em comparação com o tempo de vida da estrela, por isso pensamos ter observado este acontecimento raro muito pouco tempo depois de ter ocorrido," disse Frost.

Bibliografia:

Artigo: A magnetic massive star has experienced a stellar merger
Autores: A. J. Frost, H. Sana, L. Mahy, G. Wade, J. Barron, J.-B. Le Bouquin, A. Mérand, F. R. N. Schneider, T. Shenar, R. H. Barbá, D. M. Bowman, M. Fabry, A. Farhang, P. Marchant, N. I. Morrell, J. V. Smoker
Revista: Science
Vol.: 384, Issue 6692 pp. 214-217
DOI: 10.1126/science.adg7700
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