Redação do Site Inovação Tecnológica - 25/02/2025
Energia solar e energia termossolar
Pesquisadores espanhóis construíram um dispositivo híbrido de gerador e bateria que combina, pela primeira vez, a geração de energia solar fotovoltaica baseada em células de silício com o armazenamento de energia solar térmica molecular.
Este é um caminho para solucionar uma das maiores deficiências da energia solar: A intermitência.
A energia solar fotovoltaica já é uma das fontes renováveis mais importantes para a produção de eletricidade, mas as redes não podem depender unicamente dela devido à geração intermitente e à demanda flutuante de energia. A solução é usar sistemas de armazenamento eficientes, para garantir a disponibilidade de energia quando a demanda aumenta ou quando o Sol se põe.
Contudo, essas tecnologias ainda não apresentam um desempenho ideal, principalmente devido ao aquecimento que sofrem, o que afeta a produção de energia e a durabilidade dos sistemas. Por outro lado, as tecnologias de armazenamento atuais, como as baterias, dependem de materiais não sustentáveis.
A intenção de Zhihang Wang e colegas da Universidade da Catalunha é desenvolver uma tecnologia para enfrentar ambas as questões. É o primeiro dispositivo híbrido que combina uma célula solar de silício com um sistema de armazenamento inovador, chamado MOST, sigla em inglês para "sistema de armazenamento de energia solar térmica molecular".
O protótipo atingiu uma eficiência recorde de armazenamento de energia de 2,3% e até 14,9% de utilização total da energia solar, incluindo os espectros visível e termal.
Gerador que armazena energia
O dispositivo MOST consiste em moléculas orgânicas que, quando irradiadas com fótons de alta energia, como luz ultravioleta, passam por uma transformação química e armazenam essa energia para uso posterior.
Uma característica particular do sistema é que essas moléculas também fornecem resfriamento à célula fotovoltaica, que usa os fótons de energia mais baixa para produzir eletricidade, funcionando como um filtro óptico e bloqueando fótons que normalmente causariam aquecimento e reduziriam a eficiência do sistema fotovoltaico.
Dessa forma, o dispositivo termofotovoltaico permite tanto a geração de eletricidade quanto o armazenamento de energia química.
O protótipo apresentou uma eficiência energética surpreendentemente boa para uma primeira versão. Testes experimentais atingiram uma eficiência recorde de armazenamento de 2,3% para energia solar térmica molecular. A integração do sistema híbrido também reduziu a temperatura da célula fotovoltaica em até 8 °C, reduzindo as perdas devido ao calor e aumentando a eficiência da célula solar em 12,6%. O dispositivo combinado opera com uma eficiência de utilização solar de até 14,9%, o que representa uma melhoria em relação aos dois sistemas solares operando de modo independente.
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