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Evento discute estratégias para usar inovação no desenvolvimento regional

O que fazer?

Um grupo de especialistas em desenvolvimento regional, brasileiros e estrangeiros, reuniu-se em São Paulo para debater políticas de fomento ao desenvolvimento tecnológico, obstáculos à inovação em pequenas empresas e desafios que as tecnologias digitais (IoT, indústria 4.0, entre outras) impõem aos ecossistemas de inovação.

O encontro foi um desdobramento da conferência internacional Innovation Systems, Strategies and Policy (InSySPo), promovido pela Fapesp, e que discutiu quais estratégias o Brasil deve adotar para reindustrializar e inovar.

O debate foi orientado por três questões: as políticas-chave para estimular a contribuição de empresas intensivas de conhecimento para a atualização tecnológica e o desenvolvimento regional; os obstáculos à inovação em pequenas empresas e seu enfrentamento em nível regional; e os requisitos para que regiões/cidades adiram à próxima onda digital (IoT e indústria 4.0).

Falta a iniciativa privada

Em relação às políticas-chave para o desenvolvimento regional, os especialistas reconhecem que os governos intensificaram a atenção à geração de empresas intensivas de conhecimento como estratégia de produção de riqueza, emprego, inovação e oportunidades. "Essas empresas são parte crítica dos ecossistemas regionais de inovação, ao lado de universidades, institutos de pesquisa e o setor financeiro", disse Carlos Américo Pacheco, da Fapesp.

Dois projetos ilustram essa integração entre universidades e empresas: o Distrito da Inovação, próximo à Universidade de São Paulo (USP), e uma nova área, junto à Unicamp, em Campinas, voltada ao apoio às empresas de alta tecnologia. O grande desafio é encontrar meios e modos de implementar iniciativas como essas num período de restrição de recursos do setor público.

A saída pode estar no maior envolvimento do setor privado, ponderaram os participantes do debate. Estudos recentes do Banco Mundial demonstraram que o setor público é o principal investidor no caso da pesquisa básica, mas o engajamento do setor privado em ecossistemas estratégicos de inovação é crucial para traduzir iniciativas científicas em mudanças tecnológicas alavancadas por inovação.

Essa complementaridade, segundo os pesquisadores, deve ser estimulada por políticas de geração e atração de empresas intensivas em conhecimento e alto perfil tecnológico, que funcionariam como âncoras do ecossistema de inovação. Além de gerar demanda por soluções tecnológicas, essas âncoras têm força para semear o empreendedorismo e a inovação.

A seleção de parceiros estratégicos, portanto, tem que fazer parte do processo de formulação de políticas públicas para o desenvolvimento regional, dando relevância ao conceito de "especialização inteligente".

O problema é como promover a cooperação entre universidades e empresas e, ao mesmo tempo, direcionar para a inovação empresas que, historicamente, adotam atividades de baixa tecnologia, avessas que são ao risco.

Obstáculos à inovação

A segunda pergunta debatida no encontro estava relacionada à superação, em nível regional, de obstáculos à inovação enfrentados por pequenas empresas: falta de financiamento e de pessoal qualificado, excesso de regulação, entre outros problemas que exigem ação coordenada entre os diferentes níveis de governo.

Alguns desses obstáculos poderiam ser superados por meio de iniciativas como a da norte-americana iCorps e do Programa PIPE Empreendedor, da FAPESP, que apoia empreendedores na calibragem de seus planos de negócios para mirar também o mercado externo. "No entanto, forçar as empresas a muito cedo se tornarem globais é um risco, já que a concorrência internacional é difícil," disse André Furtado, da Unicamp. Antes de migrar para novos mercados, é preciso crescer e investir em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Outra saída é implementar a articulação de redes de negócios que facilitem o acesso a financiamento, à tecnologia e aos mercados, apontam os especialistas. E destacam que, neste quesito, as empresas-âncora são fundamentais. Esses parceiros fornecem acesso a cadeias de valor globais, auxiliam as novas empresas a alcançar a infraestrutura de mercado global e ainda ajudam-nas a aprender com os colaboradores de companhias mais experientes.

Entre todos os obstáculos à inovação o principal é o financiamento de risco, segundo os pesquisadores. No estágio inicial da vida das empresas intensivas em tecnologia, elas demandam apoio de investidor-anjo, financiamento coletivo, capital de risco, entre outros, que, além de recursos, oferecem base gerencial às empresas emergentes.

A sustentabilidade de um ecossistema de inovação depende, ainda, de que ferramentas científicas e tecnológicas disponíveis em universidades e institutos de pesquisas estejam também conectadas ao ambiente empresarial.

Tecnologias digitais

A terceira pergunta debatida foi: Como as regiões/cidades devem se preparar para a próxima onda digital?

O foco da discussão recaiu sobre o caso de Campinas, que reúne centros de tecnologia e habilidades técnico-científicas nas áreas de telecomunicações, software, dispositivos eletrônicos, entre outros, além de contar com uma importante concentração de universidades e institutos de pesquisa e de empresas líderes em tecnologia da informação e comunicação.

Campinas obteve recentemente apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para se transformar em cidade inteligente. Está em andamento uma pesquisa com o objetivo de identificar tendências em IoT, entender o ecossistema de Campinas, em termos de oferta de tecnologia, e identificar demandas, além, é claro, de definir planos de ação.

O sucesso depende de que as metas sejam claras e definidas. Uma das regras para criar um ambiente dinâmico inovador é compartilhar informações e disponibilizar os dados publicamente. "Essa regra, aliás, é um dos fundamentos de cidades inteligentes", disse Nicholas Vonortas, da Universidade George Washington.

Cidades distintas têm estratégias de inovação distintas. Stellenboch, na África do Sul, por exemplo, adotou uma estratégia para saltar etapas na implementação de transformação digital: identificou tecnologias utilizadas em outros lugares e fez a sua atualização tecnológica. Barcelona, por sua vez, selecionou os 10 principais problemas da cidade e convocou o público para propor resoluções.

"Em qualquer caso, o plano de ação, que envolva iniciativas dos setores público e privado, exige a participação das partes interessadas em geral por meio de chamadas de propostas relativas à solução escolhida para melhorar a vida dos cidadãos", disse Vonortas.





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