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BRICs vão compartilhar laboratórios para fazer Megaciência

BRICs vão compartilhar infraestruturas de pesquisa científica
A fonte síncrotron Sirius é a maior e mais complexa infraestrutura científica já erguida no Brasil.[Imagem: MCTIC]

Megaciência

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul articulam uma plataforma para compartilhar seus principais laboratórios científicos, compondo os chamados "projetos de megaciência".

"Os cinco países têm diferentes infraestruturas de pesquisa, que são caras e difíceis de serem construídas", explicou Álvaro Prata, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTIC). "Os Brics se relacionam científica e tecnologicamente desde 2014 e sabem que, individualmente, não se dispõe de tudo de que se necessita para gerar conhecimento. Por isso, montamos esse grupo de trabalho no ano passado, na Rússia, para compartilhar nossos grandes laboratórios."

Em um evento realizado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), os parceiros acertaram o compartilhamento dos primeiros 25 laboratórios.

O Brasil se propõe a franquear acesso à fonte de luz síncroton Sirius, que será a maior e mais complexa infraestrutura científica já erguida no país; o navio de pesquisa hidroceanográfico Vital de Oliveira; o Laboratório de Integração e Testes do Inpe (LIT), em São José dos Campos (SP); o Observatório de Torre Alta da Amazônia (Atto), em São Sebastião do Uatumã (AM); e o supercomputador Santos Dumont, em Petrópolis (RJ).

"Essa é uma reunião de aproximação. O desfecho é justamente definir quais são as infraestruturas de cada país e também como vamos operar esse compartilhamento," adianta Prata. "Não vamos esgotar o assunto, mas temos que estabelecer regras mínimas de como isso vai ocorrer. É claro que teremos mais discussões no futuro, quando vamos detalhar outras questões: trabalhar assim e assim, de acordo com a característica de cada laboratório."

Acesso aos laboratórios

A equipe agora irá definir as características do portal na internet para acessar os laboratórios, incluindo critérios, candidaturas e a mobilidade dos pesquisadores.

"Para que todos possamos utilizá-las, precisamos divulgá-las de alguma maneira. Então, vamos criar uma plataforma pela qual pesquisadores vão poder descobrir como fazer para usar cada laboratório. Vamos ter que tomar ainda uma série de medidas: talvez lançar editais e investir em projetos de megaciência compartilhados," disse Prata.

Embora sigam diferentes caminhos de desenvolvimento, os Brics enfrentam preocupações comuns, como a melhoria da qualidade de vida, a necessidade de crescimento econômico inclusivo, a criação de emprego e a sustentabilidade. Desde 2014, os cinco países buscam abordar seus desafios com ciência, tecnologia e inovação.

O grupo de trabalho teve sua primeira reunião em maio de 2017, no Instituto Conjunto de Pesquisa Nuclear (JINR, na sigla em inglês), em Dubna, cidade russa a 125 quilômetros de Moscou. Dois meses depois, no 5º Encontro Ministerial de Ciência, Tecnologia e Inovação do Fórum de Diálogo dos Brics, em Hangzhou, na China, representantes das pastas científicas dos cinco países confirmaram o CNPEM como sede do segundo encontro, em função do Sirius, uma das primeiras fontes de luz síncroton de 4ª geração do mundo.





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